Eu já voei nas asas de um cometa
Em pensamentos, eu já voei o mundo
Voei os desencontros, o submundo
Só não voei na aflição de tarja preta.
Eu já voei, em balões de gás inerte
Nas pipas coloridas, quando criança
Voei a realidade, na lembrança
Nos carnavais voei, era o confete.
Voei, porque voar era uma tática
A vida de quem voa, não é estática
E o sonho de quem voa é o infinito.
Voei, porque jamais eu tive medo
Porque voar é o melhor brinquedo
E além do mais, ainda, o mais bonito.
Amaro Vaz Filho
OUTRAS SOMBRAS
No pessimista o sol de cada dia
É um incômodo, a razão da sombra
A claridade, a luz, tudo lhe assombra
Tudo lhe rouba a paz, a alegria.
Que Deus me livre, desta praga humana
Que nada vê, além do próprio umbigo
Bem cedo eu aprendi, meu rumo eu sigo
Sozinho, hei de cuidar da minha chama.
Porque no pessimista, o que importa
São os débitos, defeitos, tudo anota
Nada escapa de seu giz vermelho.
Na minha vida, que é um sol de alegria
Se eu tivesse muita grana, eu doaria
A todo pessimista um espelho.
Amaro Vaz Filho
PAIXÕES ANÁRQUICAS
O teu amor era uma gota de orvalho
Um quase nada, um gostar pequeno
Soubesse eu... Que eras filha do sereno
Jamais me permitiria este ato falho.
Só mesmo um cara louco, um delinqüente
Pra se envolver com uma gota abandonada
Na ponta da roseira, no galho pendurada
Exposta o sol, para morrer mais quente.
De hoje em diante, serei bem mais atento
Vou namorar a brisa, a irmã do vento
Que vem me visitar todos os dias.
Sempre correndo, eu sei, ela volta sempre
Para dizer, que me ama, e eu tão carente
Dou crédito às novas e loucas fantasias.
Amaro Vaz Filho
VELHICE
Tantos pardais, - nenhuma andorinha-
Vejo nas praças da minha velhice
Vem a saudade, eu vôo à meninice
E ao voar, tremula a velha asinha.
Cresci, envelheci, eu sei... Dignamente...
Por isso eu me orgulho do passado
Até aquele antigo passo errado
Promove o conhecer-me plenamente.
Voltando às andorinhas de outrora
Eu tento descobrir o dia e a hora
Do vôo cego, da minha despedida.
Espero, que não me expulsem, os pardais
Sou uma velha andorinha, nada mais...
Deixe-me, em paz, dizer adeus à vida.
Amaro Vaz Filho
REENCONTROS
Com giz de cera desenhei um arco-íris
No céu cinzento da nossa rotina
Fiz o café, servi o leite e a vitamina
E sobre a mesa, pus as xícaras e os pires.
Na sala, e em nosso quarto, eu pus flores
Seu banho eu preparei na hidromassagem
A bíblia aberta, naquela tal passagem.
Que nos remete a Cristo e suas dores.
Pensei comigo... O amor não envelhece
Se o amor se acende, o amor se aquece
Declaro aceso o nosso amor pra sempre.
E com o mesmo giz de cera, na parede...
Eu desenhei uma bonita e grande rede
Pra gente se amar, como antigamente.
Amaro Vaz Filho
AMOR EM CHAMAS
Eu quero aproveitar esses momentos
De plena alegria e bom-humor
Para escrever no sexo do amor
Uns novos versos e uns pensamentos.
Vou escrever “tesão, paixão, delícia”.
Com as cores do amor e da ternura
Só pra não ter problemas com a censura
E nem virar um caso de polícia.
Porque o amor em tempos agitados
Como o que hoje estamos habituados
Já não é visto como amor somente.
Há sempre um chato (a) e um (a) calhorda
Que se imagina reinventando a roda
Ao ver num amor em chamas, algo indecente.
Amaro Vaz Filho
O PALCO DO POETA
Todo poeta é um delinqüente ator
Que leva ao palco-vida a ironia
Se um dia vê tristeza na alegria
No outro gargalhadas, vê na dor.
Sou um poeta-ator e me apresento
Contracenando com a felicidade
Não mais escrevo versos à saudade
Somente ao riso e ao contentamento.
Quero no palco representar a luz
Cansei de carregar a pesada cruz
Do desamor e da desesperança.
Cansei de escrever versos errantes
Por isso aos atores coadjuvantes
Eu deixo a velha dor como herança.
Amaro Vaz Filho
VERSOS OMISSOS
Eu me descubro em mares agitados
Feito um sarrafo de toco, num remanso
Feito um pássaro, sôfrego e manso
Ante os gatos, que vivem nos telhados.
Mais eu fujo, mais e mais me entranho
Mais, eu me misturo à tempestade
A minha alma perde a sensibilidade
E ao espelho, eu me vejo um estranho.
O que será de mim? Eu me pergunto...
A inconsciência procura um outro assunto
Para não ter, que me dar explicações.
Prefiro a morte. Uma... Duas... Três
A ter que transformar em insensatez
Minhas idéias e as minhas emoções.
Amaro Vaz Filho
CANÇÃO DO AMOR DEMAIS
Feliz é o homem, que vê na luz da lua
O brilho necessário à sua caminhada.
Feliz é o homem, que vê na doce amada
O riso mais calmo, que já se viu na rua.
Feliz é o homem, que vive um só amor
Um só carinho em todos os abraços
Jamais lhe afetam as dores dos fracassos
Nem lhe castigam os males do rancor.
Cantar o amor com tanta veemência
Explicam os doutores e a ciência:
É um remédio sem contra-indicação.
Faz bem ao corpo, a alma e à mente
É como se um vulcão dentro da gente
Vivesse em constante erupção.
Amaro Vaz Filho
ESTATUTO DO AMOR PRESENTE
Adoro, quando pega em minha mão
Olha-me nos olhos e diz que me ama.
Quando nas noites frias, sua chama
Transforma em brasa o meu coração.
Adoro, quando andamos pelas ruas
Sem hora pra alcançar nosso destino.
Adoro, quando diz que sou um menino
Que vive burilando as coisas suas.
Adoro, ainda, quando amanhecemos
E recomeçamos, a noite que tivemos
Pra não perdermos este bom costume.
Adoro tudo o que há dentro de nós
Adoro o seu beijo, adoro a sua voz
E adoro amor o seu natural perfume.
Amaro Vaz Filho
ORVALHO
Dizem, que é da chuva um ato falho
Adora, se mostrar nas madrugadas
As pétalas das flores e as galhadas
Enfeita e protege: Ele é o orvalho.
Já outros nos afirmam com certeza
Que ele é um filhote da neblina.
Não dizem se é menino ou menina
Apenas, que é um dom da natureza.
Assim que nasce o sol, começa o dia
Num ato de coragem e valentia
Ele se esparrama inteiro sobre a flor.
Eu chego a pensar, que é um suicida.
Que seco, sob o sol, dispensa a vida
Pra que não morra a rosa, o seu amor.
Amaro Vaz Filho
LIMPANDO A ALMA
Você pediu-me, pra eu limpar minha alma
Como se ela fosse o chão de um banheiro
Como se limpa o corpo sob o chuveiro
Você pediu-me, pra eu limpar minha alma.
Pedi um tempo, pra revirar o dentro
E escolher, o que abrigar em mim
Limpar a alma é descartar, enfim...
Os entulhos que lotam o sentimento.
Foi só abrir a porta e lá chegando...
O que não me agradava, eu ia jogando
Num monte de entulhos do passado.
Ao deparar-me com as velhas cicatrizes
Joguei no monte, uma por uma, as infelizes
Estava eu, de alma limpa, enfim curado.
Amaro Vaz Filho
LABIRINTOS
A nossa vida é um louco labirinto
Nela eu me perco, nela eu me acho
Nela sou um mar e sou um riacho
E sou a consciência e sou o instinto.
Minhas andanças por suas tantas ruas
Resulta, sempre, um novo aprendizado.
Mais eu me envolvo nesse emaranhado
Mais eu conheço as maravilhas suas.
Nesse seu beijo, com gosto de hortelã
É que eu acordo em todas as manhãs
Para defender, de cada dia, o pão.
Por isso eu peço a Deus nas orações:
Preserve os labirintos das emoções
E nunca deixe me faltar a gratidão.
Amaro Vaz Filho
VERSO FERIDO
Ferido o verso, ferida a inspiração
A alegria desce morro abaixo
A luz, incandescente, perde o facho
O velho sim, de ontem, vira um não.
Ferido o verso, todas as belezas
Das madrugadas livres e ao luar
Não querem, mais o canto enfeitar
Porque, a noite encheu-se de incertezas.
Ferido o verso, ferido, também, sou
Abandonado e triste – não sobrou -
Ninguém interessado em meus lamentos.
Ferido o verso e ferida a poesia
O fim do encanto transforma a utopia
Num carrossel de estranhos sentimentos.
Amaro Vaz Filho
NOITES DE LUZ
Uma estrela eu vi cruzar o céu
E despencar atrás daquele morro
Não deu pra ouvir, se pedia socorro
Só pude ver que tinha um lindo véu.
Durou seu vôo um segundo exato
Tamanha a rapidez que ela imprimia
Se eu piscasse os olhos, não veria
Toda beleza de um simples ato.
Alguém me disse que ela é cadente
Brigou com o céu, triste e descontente
Veio na terra buscar contentamento.
Se eu soubesse a língua das estrelas
Talvez pudesse, um dia, convencê-las
Que aqui na terra, também, há sofrimento.
Amaro Vaz Filho
SENHOR DAS ESTRELAS
(Ao amigo-irmão Jenário de Fátima)
Tenho um amigo, que se diz amante
Das estrelinhas que enfeitam o céu.
Vive fazendo aviõezinhos de papel
Para poder ir visitá-las no horizonte.
Ele consegue, com elas, se entender
E elas compreendem o que ele diz.
Não é loucura, é só um “estar-feliz”
Que faz este milagre acontecer.
Confesso, eu pensei inicialmente
Que ele fosse uma estrela cadente
Humanizada, só para me enganar.
Que tolo eu fui. Ele é apenas
Um pássaro-humano e sem penas
Capaz da louca aventura do voar.
Amaro Vaz Filho
NÓS DOIS
Adoro ver as horas passeando
Pelo relógio, sempre apressadas.
A cada vinte e quatro badaladas
Um novo e lindo dia vão pintando.
Parecem essas horas o sentimento
Que nos envolve inteiro o coração
A cada badalada uma emoção
Invade a imensidão do pensamento.
Como um relógio, eu sou um refém
Daquelas horas, que você meu bem
Enche o meu tempo de paz e alegria.
Por isso nunca limite essas jornadas
Porque as horas, mesmo apressadas
Sempre dão conta de terminar o dia.
Amaro Vaz Filho
LIMPANDO AS GAVETAS
Tio Geraldo amava os passarinhos
Passavas horas cuidando das gaiolas
Servia-lhes laranjas e carambolas
Alpiste, canjiquinha, e até beijinhos.
A sua filha Heloisa era quem cuidava
Do viveiro que existia lá no quintal
Toda as manhãs era é o mesmo ritual.
Daqueles passarinhos, ela cuidava.
Lembro-me bem... era outubro..dia dez
Vi Heloisa cair junto aos meus pés
Dizendo: primo, meu pai me deu três tiros.
Ao abraçá-la senti que algo escorria
Era o seu sangue... Menino não sabia...
Que eu assistia, os seus últimos suspiros.
Amaro Vaz Filho
VULTOS
Tudo o que temos é um pesado fardo
Cheio de coisas, pelo tempo, acumuladas.
Coisas que sagram e coisas cicatrizadas
Que nos remetem aos anos do passado.
Coisas que a gente via simplesmente
Encher a nossa vida de esperança.
Eu era um jovem e você uma criança
O nosso amor, ainda, uma semente.
Coisas que a gente viveu entre paredes
Coisas de amor num vai e vem de redes
Que deram à vida dois benditos frutos.
Coisas que fazem a nossa história
Que infelizmente hoje na memória
Como herança só deixaram vultos.
Amaro Vaz Filho
CRIAÇÃO CRIANÇA
Deixei dormir no teu Criança Dia
Uma semente de infinitas cores
Um novo texto, um ramo de flores
Um beijo cálido na tua poesia.
Tem essa mão, que ora brinca o verso
Necessidade de outros voares
Toda criança entende os luares
Como um pedaço de amor do universo.
Deixei dormir na tua pequenez
Um beijo simples da minha timidez
Deixei dormir em ti a esperança.
Deixei dormir a noite das estrelas
Para que a luz do dia, ao percebê-las
Tenha vontade, também, de ser criança.
Amaro Vaz Filho
TRAÍRES OUTROS
Diz que me ama o amor aventureiro
De uma mulher que vive a desventura.
Dos outros beijos, da infiel procura
Ao encontrar em mim seu cativeiro.
Me vem serena, sem arrependimento
E me chama de paixão, me beija a face.
Vem desprovida de qualquer disfarce
Pois, não precisa deste atrevimento.
Conhece o beijo, feito de ausências
Nas bocas órfãs de loucas indecências
Conhece, ainda, o meu falar de amor.
Por isso dorme inteira a nossa cama
E se num toque acendo a tua chama
Me ama com explosão e despudor.
Amaro Vaz Filho
UM SONETO-ORAÇÃO
Bendita fé que ilumina as estradas
Santificadas, sejam as tuas cores.
Bendito é o fruto de doces sabores
Das tuas noites mais imaculadas.
A crença de hoje, toda luminosidade
Dá-nos agora e para todo o sempre.
Não me permita incrédulo, ausente
Se de tuas luzes tiver necessidade.
Permita-me, cumprir a antiga lei:
Amai-vos, como eu sempre vos amei
Como ensina o meu bondoso Deus.
Bendita fé, ó minha grande amiga
Permita-me, viver inteira a vida
Seguindo os passos dos exemplos teus.
Amaro Vaz Filho
FESTA DE DESPEDIDA
Vestiu, apenas, umas gotas de perfume
O quarto encheu de flores e de velas.
Deixou fechadas todas as janelas
No teto desenhou uns vaga-lumes.
No seu criado-mudo, um cinzeiro
Servindo de apoio, para o incenso.
Com loucas artimanhas e bom-senso
Pintou seu corpo nu no travesseiro.
Na cama espalhou umas almofadas
Deixou todas as fotos espalhadas
Algumas na parede, outras no chão.
A noite inteira, me amou com garra
Fez dengo e festa, uma grande farra
Pra comemorar nossa separação.
Amaro Vaz Filho
O FAZER POETA
Finge o poeta uma dor tão mentirosa
Que ao se expor em forma de palavras.
Insiste em voar, mesmo sem asas..
Ao declarar-se amado em sua prosa.
Finge somente, porque quer iludir
Deixar o outro, sujeito às suas dores.
E a sua alma, tão cheia de valores
Vê-se impedida, de auto se abolir.
Fazer a poesia é um longo parto,
Cordeiro envolto em pele de lagarto,
Não quer o lobo exposto, simplesmente.
E ao misturar mentiras com verdades
Quer o poeta com as suas identidades
Inocentar o verso inconseqüente.
Amaro Vaz Filho
ESCURA PAISAGEM
Bateu a porta de nós dois, fugiu
Pela estrada do esquecimento.
Nenhuma chance deu ao sentimento
Bateu a porta de nós dois, partiu.
Partiu, como se o amor fosse apenas
Uma ferida exposta, um fundo corte.
Bateu a porta de nós dois, a morte
Deixando, em mim, essas tristes cenas:
Um peito vazio, um coração sofrido
E na garganta um grito revestido
De obediência, extrema, à solidão.
Deixou, ainda, a dor de uma saudade
Que impõe limites à felicidade
Quando, acende a luz da escuridão.
Amaro Vaz Filho
COLCHA DE RETALHOS
Nós somos uma colcha de retalhos
Tantos os remendos e os enchimentos.
Tantas as preguiças e os esquecimentos
Poucos os passos e tantos os atalhos.
Nós somos, é triste, uma babel humana
O que eu falo, você não compreende.
E isso fere, isso machuca e rende
Uma dor profunda, uma dor insana.
Faltou talento, pra endireitar o rumo
Sobrou vontade, pra espremer o sumo
E nesse vai-e-vem, nenhuma herança.
Vamos levar depois de tantos anos
Porque pintamos, apenas, desenganos
No quadro triste da nossa lembrança.
Amaro Vaz Filho
APRENDIZ DE AMOR
Infelizmente amor, infelizmente
O fim venceu a guerra, lá vou eu...
Cuidar do sentimento, que é só meu
Cuidar melhor de mim, daqui pra frente.
Infelizmente amor, infelizmente
A gente nunca se deu o real valor
A gente nunca ouviu um inteiro amor
Gritar dentro nós: Estou presente...
Infelizmente, eu sei, deu tudo errado
Porém não ligo, já estou acostumado
Com a ausência, com a vazio, a solidão.
Infelizmente, eu vou, por outros caminhos
Sonhar com flores e lidar com espinhos
Quem sabe um dia, eu aprenda a lição.
Amaro Vaz Filho
SAUDADE
Escrevo-te! Um pequeno verso
Escondido nas flores, que te envio.
Um verso solto, pra encher o vazio
E na solidão dar um nó, reverso.
Escrevo-te! Dias de sol, luas inteiras
Uma canção de amor, doce e ardente
Que invada o coração e simplesmente
Enxugue em ti, as lágrimas corriqueiras.
Escrevo-te! E ao te escrever, eu faço
Uma aliança de mãos, pinto o abraço
Invento a luz, te envio a claridade.
Escrevo-te! A minha última emoção
Pra que não morra o verso em minha mão
E que não mate o amor, essa saudade.
Amaro Vaz Filho
FUGA
Cansei de amar um amor enlouquecido
Amor que faz besteiras e faz badernas.
Que ora fala mal, ora diz coisas ternas
Que é um santo, às vezes é bandido.
Cansei de ser amigo, ser o adversário
De estar no céu, logo depois na lama.
De ser, apenas, mais um em tua cama
Cansei de ser real, de ser imaginário.
Cansei de ser o causador das brigas
Cansei de ser remédio pras tuas feridas
Cansei de ser ora imbecil e ora culto.
Ao me cansar de tudo, eu simplesmente
Quero dizer-te amor, que infelizmente
Eu “fui”, sem deixar rastro ou vulto.
Amaro Vaz Filho
ESCUROS SENTIMENTOS
Ante o silêncio maldito e audacioso
Que a tua ausência impõe ao sentimento
Cartas te escrevo, pra gastar o tempo
Enquanto dorme o medo preguiçoso.
Não tenho nada além de muitas dores
Tudo é tristeza, faz tempo não sorrio
Até o som do meu violão está vazio
E o arco-íris desbotou, perdeu as cores.
Eu sou prisioneiro de um amor nefasto
Meu mundo solidão é imenso e vasto
Eu nada quero e nada mais procuro.
Para me acostumar com essas mazelas
Tranquei a porta, fechei todas as janelas
Na frente dos meus olhos fiz um muro.
Amaro Vaz Filho























































